Vamos continuar o aprendizado sobre crianças e a arte de brincar? (confira aqui a primeira parte)

Parte 2 da pesquisa

O ambiente adequado

Quanto ao ambiente físico, precisamos levar em consideração as impressões que os órgãos dos sentidos estão recebendo: cores, estampas, forração do chão, da cama, das cortinas. Algumas questões podem nos levar à reflexões positivas.

  • Os móveis são adequados à idade, em tamanho, forma e finalidade?
  • Os brinquedos estão colocados ao alcance da criança? Eles estão expostos como numa vitrine ou cada qual tem seu lugar apropriado?
  • Há espaço para guardar tudo em ordem, ou brinquedos estão socados em baús, gavetas, armários, sacos?
  • No pátio, há elementos variados, acessíveis à criança: areia, água, grama, árvore, pedras, toras de madeira… há espaço no pátio para a criança brincar com balanço, correr, construir cabanas, etc?
  • O quarto de dormir tem de estar sempre em ordem e o quarto de brincar pode ficar sempre bagunçado?

BrincadeirasDe forma geral, os brinquedos devem ser selecionados: os de brincar no pátio podem ficar guardados em outro armário, em outra peça da casa próxima ao pátio para facilitar o acesso. No quarto, deve acontecer as brincadeiras mais delicadas como montar casinhas, jogos de peças pequenas, desenhar, ver livros. Os livros devem ficar no quarto, acessíveis na medida em que a criança aprende a manuseá-los, assim ela criará amor pelos livros e pela leitura.

Até os 5 anos, a criança não consegue distinguir o seu brincar de outras atividades (tomar banho, almoçar, arrumar o quarto, escovar os dentes, etc.) precisamos levá-la à mudança pela fantasia, ou seja, junto com a criança ir colocando os cavalos no estábulo, os carros na garagem, as bonecas nas caminhas, etc. Com os maiores, podemos criar um jogo: “eu junto as peças vermelhas e você as azuis”. Cantar cantigas que evoquem a ação desejada ajuda muito neste momento, diluindo tensões, exemplo: canções para dobrar panos, para escovar os dentes, para se enxugar.

Ter o quarto em ordem deve inspirar vida e não uma vitrine, com brinquedos expostos em prateleiras. Cada coisa deve ter o seu lugar, não rígido, mas permeado de sentido: camas para os bonecos, garagem para carros, anões de feltro num tronco, pedras preciosas num bauzinho, conchas num cestinho, etc.

Crianças brincandoDar os brinquedos, ou permitir brincadeiras, como construir cabanas na sala, com a condição de que depois tudo deverá ser guardado em seu devido lugar inibe as crianças e muitas vezes impede que as brincadeiras se realizem.

Muitas crianças já não dão vazão às suas fantasias por já terem consciência de que é chato e cansativo arrumar tudo depois; tornam-se apáticas, sem criatividade e acomodadas. “Colocar as coisas em seu lugar” não faz parte da vida da criança pequena, isto só adquire significado nos anos escolares.

Quanto à postura do adulto, este deveria desenvolver um olhar para os brinquedos cheio de carinho e respeito e transmitir isto em seus gestos. Arrumar o quarto deveria ser um ato de amor e não só de limpeza. Algumas observações poderão nortear os pais neste sentido:

  • Tentar compreender as necessidades físicas e anímicas de cada idade (especialmente importante para famílias com mais de um filho), relembrando a própria infância e investigando sobre o assunto.
  • Fazer companhia às crianças e interferir somente no necessário, orientar quando preciso e participar quando convidado.
  • Estar com as mãos ocupadas numa tarefa qualquer, costurando ou cuidando das plantas, para disfarçar o fato de estar supervisionando a brincadeira.
  • Ter em mente que a fantasia do adulto não é igual à fantasia das crianças, por isso não exagerar nas interpretações ou intervenções.
  • Geralmente, o adulto é visto como um intruso quando a criança está entretida criando algo.
  • Quando falta iniciativa às crianças, é tarefa do adulto entusiasmá-las e orientá-las nos jogos e brinquedos sadios.
  • Em lugar de repreender, no caso da desordem, situar-se no mundo infantil e tomar parte na alegria criadora que vem das crianças.
  • O adulto deve ser digno de ser imitado. Suas ações, bem como seus sentimentos e pensamentos devem refletir que é bom estar na terra, que é bom crescer e conviver. Em resumo, toda ação educativa deve permear-se dos sentimentos de que o mundo é bom, belo e verdadeiro.

Elementos para o brincar

  • Retirados da Natureza: pedras, conchas, folhas, galhos, areia, barro, água, musgo, pequenos bichinhos, pinhas, sementes, cascas, catutos, vagens etc.
  • Elaborados pedagogicamente: animais de pano/tricô/madeira; carros de madeira/lata, fogõezinhos de barro, capas, caixas, blocos de montar, bonecos de pano/tricô/feltro, bolas de tecido, sacos, panos de tamanhos variados, bonecas grandes e pequenas, móbiles etc.
  • Brinquedos temporários: caixas de papelão, rolinhos de papel higiênico, potes de iogurte, palitos de picolé, latas, rolhas, tampinhas etc.
  • Brinquedos de pátio: gangorra, corda, balanço, escorregador, cavalinhos de cabo de vassouras, carriolas, carrinhos de mão etc.
  • Coleções: selos, tampinhas, figurinhas, papel de cartas, guardanapos, folhas secas, pedrinhas coloridas, conchas etc.
  • Modelagem: na caixa de areia ou na praia, argila, cera de abelha, massa de pão ou biscoito, massinha etc.
  • Casinha: panelinhas de barro, de ferro, de lata; panos de tamanhos variados, colheres de pau, recipientes de bambu, móveis pequenos, cestos, caixas, pregadores de roupa, tina para lavar etc.
  • Jogos sociais: teatralização baseada em histórias, cantigas de roda, jogos com regras simples como “coelho na toca”; jogos com regras definidas bem x mal. Como “amarelinha”; jogos com bola ou objetivo de grupo, etc.
  • Jogos com regras: quebra-cabeça, loto, dama, resta-um, cara-a-cara, cinco-marias, jogo-da-velha, dominó, etc.
  • Bonecas: roupinhas adequadas à “idade” da boneca, caminha, berço, panos para embrulhar, “canguru” para carregar a boneca nos passeios, etc.

Agora que você já tem as dicas…brinque e participe desse momento importante na formação da criança!